De volta a Londres após derrota no Supremo, Boris falará no Parlamento

Primeiro-ministro fará esta tarde uma "atualização" da situação aos deputados, que voltaram aos trabalhos depois de a justiça considerar ilegal a suspensão do Parlamento.

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primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, fará esta quarta-feira uma declaração no Parlamento britânico. Os deputados voltraam a partir das 11.30 aos trabalhos, depois de o Supremo Tribunal ter considerado ilegal a suspensão de cinco semanas pedida pelo líder conservador à rainha Isabel II.

Boris Johnson foi surpreendido pela decisão da justiça quando estava em Nova Iorque, para a Assembleia Geral da ONU. E regressou ao Reino Unido após fazer o seu discurso, aterrando em Londres cerca de uma hora antes do retomar dos trabalhos no Parlamento.

O carro que transporta Boris Johnson à saída do aeroporto de Heathrow© REUTERS/Peter Nicholls

Segundo o Labour, haverá cinco declarações da parte de membros do governo durante o dia de hoje. Não são conhecidas as horas destas declarações.

O ministro dos Transportes, Grant Shapps, fará uma atualização sobre a falência da agência de viagens Thomas Cook. Depois, Michael Gove, uma espécie de número dois de Boris Johnson, falará da preparação para o Brexit, que o primeiro-ministro insiste tem que acontecer a 31 de outubro — apesar de o Parlamento ter aprovado uma lei que o obriga a pedir um adiamento a Bruxelas caso não consiga chegar a um acordo de saída. O chefe da diplomacia, Dominic Raab, falará em seguida aos deputados sobre a situação com o Irão.

O primeiro-ministro será o quarto a falar, dando uma “atualização” da situação aos deputados. Apesar de o tribunal ter considerado ilegal a suspensão de cinco semanas do Parlamento, o primeiro-ministro poderá pedir uma suspensão normal dos trabalhos (algo que costuma acontecer anualmente, salvo exceções, como em 2018 quando o país estava envolvido nas negociações do Brexit). Esta seria de apenas quatro a seis dias, com a nova sessão parlamentar a começar com um novo Discurso da Rainha.

A última declaração será do líder dos conservadores na Câmara dos Comuns, Jacob Rees-Mogg, que está a ser criticado porque, num conselho de ministros por teleconferência, apelidou a decisão do Supremo Tribunal de “golpe constitucional”.

© EPA/NEIL HALL

A agenda do Parlamento está praticamente vazia, visto que o regresso aos trabalhos foi decidido apenas ontem. Diz apenas que, a seguir às orações das 11.30, haverá espaço para “questões urgentes” e declarações dos ministros.

Segundo a mesma fonte do Labour, haverá pelo menos duas questões urgentes — que obrigam os ministros responsáveis pelos temas a estar presentes. A primeira é da deputada do Partido Nacionalista Escocês Joanna Cherry ao procurador-geral, Geoffrey Cox. A ideia é que ele dê a sua opinião legal em relação ao conselho que Boris Johnson deu à rainha para suspender o Parlamento (existe a dúvida se o primeiro-ministro mentiu ou não a Isabel II).

A segunda pergunta é ao ministro da Cultura e visa o pagamento que foi feito pelo ministério à empresa Hacker House, que é dirigida por uma amiga próxima de Boris Johnson, Jennifer Arcuri. Será questionado sobre um possível conflito de interesses.

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