Por que Snap e Twitter são as redes queridinhas do mercado

Redes sociais, muito menores que gigantes como o Facebook, divulgam seus resultados nesta terça-feira e tentam manter o otimismo dos investidores

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NEW YORK, NY - NOVEMBER 07: The Twitter logo is displayed on a banner outside the New York Stock Exchange (NYSE) on November 7, 2013 in New York City. Twitter goes public on the NYSE today and is expected to open at USD 26 per share, making the company worth an estimated USD 18 billion. (Photo by Andrew Burton/Getty Images)

Duas redes sociais divulgam seus resultados trimestrais nesta terça-feira e tentam mostrar que menos pode ser mais. Lado a lado com gigantes como FacebookYouTube e Instagram, que ultrapassam a marca de 1 bilhão de usuários mensais cada, Snapchat e Twitter se mantém estabilizados na faixa entre 100 e 300 milhões de usuários.

As duas empresas passam por uma espécie de redenção. A Snap, dona do aplicativo de vídeos Snapchat, era a queridinha dos investidores norte-americanos em 2017 e realizou uma oferta inicial de ações bem-sucedida, conseguindo valuation de 24 bilhões de dólares. No mesmo ano, Facebook e Instagram copiaram descaradamente o recurso do Snapchat de fotos e vídeos que desaparecem em 24h. No final de 2018, somente o recurso do Stories do Instagram tinha 500 milhões de usuários por dia, enquanto o app da Snap tinha 186 milhões de usuários como um todo.

Ao longo de 2018, as ações da Snap caíram 63%. Desde o IPO, cerca de 20 diretores deixaram a companhia. Ao contrário do Facebook e do Twitter, a empresa ainda teve prejuízos em 2018, que somaram 1,3 bilhão de dólares. De acordo com análise do jornal Financial Times, o fundador, Evan Spiegel teria dinheiro acumulado para mais três anos de operação antes de precisar levantar novos fundos.

Com uma reestruturação, a Snap virou o jogo ao lançar em abril uma plataforma de games dentro do app. A estratégia foi reformular o Snapchat seguindo os passos da gigante chinesa Tencent, dona de marcas de jogos consolidadas, como League of Legends, que possui 12% da Snap desde 2017.

Por ora, a estratégia parece ter funcionado, e as ações da companhia, que estavam custando 5,79 dólares em janeiro, subiram para 11,53 na última segunda-feira, 22. Se conseguir cumprir a projeção de lucro para o primeiro trimestre de 285 e 310 milhões de dólares, o que representaria um crescimento de 24% a 34% em relação ao mesmo período do ano anterior, a Snap seguirá agradando os investidores.

O Twitter, por outro lado, já está mais saudável. No último trimestre de 2018, a empresa tinha uma média de 321 milhões de usuários por mês e cerca de 126 milhões de usuários “monetizáveis” diários, ou seja, pessoas a quem podia mostrar anúncios todos os dias. No último balanço, a empresa projetou para o primeiro trimestre de 2019 lucro entre 715 e 775 milhões de dólares.

A fórmula que a companhia de Jack Dorsey encontrou para manter-se viva foi equilibrar o diálogo com as autoridades, que exigem mais segurança nas redes sociais, e criar mecanismos para engajar os usuários e patrocinadores em sua ferramenta. Durante as eleições da Índia de abril, por exemplo, a plataforma trabalha lado a lado com a comissão eleitoral para garantir que o código de conduta e transparência seja seguido. Antes das eleições europeias, a companhia também parou de permitir que empresas estrangeiras coloquem anúncios políticos na plataforma.

Com essas reformulações, o Twitter espera ser visto como uma rede social mais segura e, consequentemente, aumentar o engajamento e o tempo que os usuários passam na plataforma. Somado a isso, no começo do ano, a empresa lançou um “modo noturno” do feed e criou uma ferramenta de câmara para tentar ganhar posições frente ao Snap e Instagram. Na última segunda-feira, 22, as ações da companhia estavam custando 34,39 dólares, frente 28,81 no começo de janeiro.

As duas redes conseguiram reverter o pessimismo dos investidores. O desafio desta terça-feira é manter o ritmo.

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