Pressão imobiliária já chega a quem vive em barcos em Londres

A subida em flecha dos valores das rendas de apartamentos em Londres fez com que muita gente, nos últimos anos, optasse por viver em embarcações nos canais do Tamisa, o rio que atravessa a capital do Reino Unido. Mas na água também já há zonas com preço proibitivo para ancoragem.

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A subida em flecha dos valores das rendas de apartamentos em Londres fez com que muita gente, nos últimos anos, optasse por viver em embarcações nos canais do Tamisa, o rio que atravessa a capital do Reino Unido. Mas, mesmo na água, a gentrificação está a crescer. A licença para uma ancoragem permanente pode chegar aos 22 mil euros por ano, fazendo com que as melhores zonas dos canais sejam um reduto cada vez mais exclusivo para empresas de turismo ou restaurantes flutuantes.

O crescimento de pedidos de licenças para embarcações de habitação é impressionante. Em 2012, havia apenas 638, este ano já foram emitidas 2208, um aumento de 246%. À medida que os preços aumentam em terra – um T0 no centro de Londres custa, em média, 1400 euros por mês – há mais gente a procurar alternativas na água. Só que os valores que os pontos de atracagem fixa atingiram estão a fazer com que muitos optem pela residência flutuante. Neste modelo, é permitido atracar em vários pontos dos canais, mas não se pode permanecer no mesmo local mais do que duas semanas seguidas. Na prática, é uma espécie de vida nómada aquática.

Quando olham para fora de seus apartamentos elegantes, limpos e de aparência clínica, não querem barcos lá

Os relatos dos que optam por esta forma de habitação espelham, porém, o desconforto com a atual situação. “Os promotores imobiliários estão a retirar os anéis para atracar os nossos barcos no canal”, diz ao jornal “The Guardian” um dos “nómadas” londrinos. Na mesma publicação, outros testemunhos garantem que nas zonas em acelerado desenvolvimento urbanístico há uma “nítida má vontade” contra os barcos residenciais por parte de quem habita em casas topo de gama. “Quando olham para fora de seus apartamentos elegantes, limpos e de aparência clínica, não querem barcos lá”, diz ao jornal o porta-voz da National Bargee Travelers Association, que representa os moradores de barcos itinerantes.

A crescente procura de barcos-casa tem também aumentado drasticamente a navegação nos canais. Há já quem diga que, num sábado de verão, os engarrafamentos são idênticos às vias rodoviárias que circundam a capital britânica

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